Internacional
Hillary vai declarar apoio a Obama na sexta-feira, confirma sua campanha
Senadora vai conclamar partido a se unir para
enfrentar o republicano McCain.
Comunicado não informa se a ex-primeira-dama vai encerrar formalmente
a campanha
Da redação
A pré-candidata democrata à presidência dos EUA Hillary Clinton vai manifestar seu apoio à candidatura de seu rival Barack Obama nesta sexta-feira (06), segundo comunicado divulgado nesta quarta pela sua campanha.
Em um evento em Washington, ela deve conclamar o partido a se manter unido
para enfrentar o provável candidato republicano, John McCain, nas eleições
de novembro.
O comunicado, contudo, não especificava se Hillary vai retirar formalmente
a sua pré-candidatura ou suspender seus atos de campanha até
a convenção democrata, marcada para entre 25 e 29 de agosto.
A decisão de Hillary de apoiar Obama, segundo um membro de sua campanha, foi tomada depois de conversas telefônicas com lideranças do partido, que manifestaram preocupação com o clima de divisão que impera desde o começo das prévias eleitorais.
Obama declarou-se vencedor das prévias na terça-feira, após, segundo as estimativas, ter reúnido os delegados necessários para garantir a indicação democrata.
Mas Hillary, contrariando rumores que vinham crescendo ao longo do dia, não desistiu da pré-candidatura e disse que, antes de tomar qualquer decisão, iria consultar líderes partidários.
Ainda nesta quarta, Obama afirmou ter conversado diretamente com a senadora
por Nova York. Ele disse estar otimista em que os dois poderiam conseguir
a unidade do partido depois dos mais de cinco meses de batalha pela indicação
à candidatura presidencial.
"Eu falei com ela hoje, e nós vamos conversar nas próximas
semanas. E eu estou muito confiante de que o Partido Democrata vai estar unificado
e vai vencer em novembro", disse Obama na saída do Senado. Questionado
se Hillary disse se planejava desistir, Obama desconversou. "Não
foi uma conversa detalhada."
Em busca do vice
Integrantes da campanha de Obama disseram que três pessoas, incluindo Caroline Kennedy, vão iniciar uma pesquisa para escolher o vice-presidente da provável chapa encabeçada por ele.
Caroline, filha do ex-presidente John Kennedy, se juntará nesta missão ao ex-promotor-geral Eric Holder e ao ex-presidente da Fannie Mae, Jim Johnson, que também ajudou John Kerry (2004) e Walter Mondale (1984) a escolherem seus vices.
Em Washington, crescem os rumores de que Hillary poderia formar chapa como vice de Obama. Para assessores do senador, ainda é "muito cedo" para falar sobre a possibilidade.
Oriente Médio
Obama participou nesta quarta de reunião do lobby pró-Israel Conselho de Assuntos
Públicos Israelo-Americano (AIPAC). Ele disse que Jerusalém deve permanecer como capital "indivisível" de Israel.
"Jerusalém continuará sendo a capital de Israel, e deve
permanece indivisível". Ele garantiu que vai apoiar o direito
de Israel se defender, e propôs um "esforço ativo"
para conseguir um acordo de paz amplo no Oriente Médio. "Eu vou
sempre estar ao lado do direito de Israel se defender nas Nações
Unidas e ao redor do mundo", disse.
Obama também assegurou que vai trabalhar para "eliminar"
a ameaça que, segundo ele, o Irã representa para o Oriente Médio
e para a segurança internacional caso consiga adquiriu armas nucleares.
"O perigo do Irã é grave e real, e meu objetivo vai ser eliminar esta ameaça", disse Obama. "Vou fazer tudo que estiver ao meu alcance para evitar que o Irã obtenha uma arma nuclear", disse, sob aplausos.
Alguns dos críticos de Obama tentaram minar seus apoio entre eleitores judeu sugerindo que, no governo, Obama faria mais pressão que Bush para que Israel fizesse concessões nas negociações de paz no Oriente Médio.
Fim das prévias democratas
Obama declarou-se na terça-feira o vencedor das prévias democratas à Casa Branca, após as votações em Dakota do Sul e Montana, que encerraram o processo. "Posso dizer que serei o candidato à presidência dos Estados Unidos", disse. "Hoje termina uma jornada histórica e começa outra." Apesar disso, a senadora não admitiu a derrota.
No discurso em St. Paul, Minnesota, para um público de 18 mil pessoas, o senador elogiou Hillary por ter 'inspirado milhões de eleitores" e afirmou que "melhorou como candidato" por ter concorrido contra ela.
Ao falar das preocupações de que a disputa tenha deixado os eleitores do partido divididos, Obama disse que é hora de os democratas se unirem para derrotar o republicano John McCain, praticamente definido como candidato republicano desde março. "Vamos nos unir em um esforço comum para desenhar um novo caminho para a América", disse.
Pouco antes disso, Hillary, em discurso em Nova York, chegou a parabenizar Obama "por tudo o que ele obteve durante a campanha", mas não desistiu da candidatura. Ela disse que "não tomaria decisões" nesta noite e que consultaria líderes democratas para definir seu futuro.
Agora, o nome de Obama -primeiro negro a concorrer com chances à Presidência americana - deve ser ratificado pela convenção nacional do partido, que ocorre em Denver, Colorado, entre 25 e 28 de agosto. Então, ele parte para a campanha contra McCain (e contra possível candidatos independentes) nas eleições marcadas para 4 de novembro.